Artigo inicialmente publicado em atavolaredonda.com / atavolaredonda.wordpress.com

O Patriarca tem constatado, nos últimos anos, que aquilo de que as feministas se queixam são geralmente coisas que seria importante preservar ou até mesmo estimular activamente o seu crescimento.

Assim, a apaixonada indignação com que a Paula Cosme Pinto analisou uma “Escola de Princesas” no Brasil criou-lhe a necessidade de reflectir sobre um assunto que de outra maneira nunca lhe ocorreria.

Regra geral, nas sociedades ocidentais, as meninas são criadas sob o pressuposto de que são especiais pelo simples facto de terem nascido com uma vagina, e que o mundo se encarregará de lhes proporcionar aquilo que almejam e merecem, nomeadamente o homem dos seus sonhos e uma família feliz, pelo simples facto de existirem.

Este ponto de vista não está absolutamente errado. Qualquer pessoa com conhecimentos básicos de biologia percebe que a fêmea é mais valiosa que o macho em termos reprodutivos, e como tal é muito difícil que uma mulher, por pouco atraente que seja, não consiga arranjar um homem que a queira.

O problema, que ninguém explica a estas meninas, é que existe uma diferença abissal entre “um homem” e “um homem desejável”. Todas as mulheres desejam um homem bem acima da média, mas umas simples contas de aritmética permitem concluir que menos de metade terá acesso a um.

Infelizmente para as mulheres, 90% da sua atractividade para o sexo oposto vem do físico, sobre o qual têm pouco controlo para além da simples regra “não sejas uma porca gorda” (que mesmo assim escapa a uma quantidade alarmante de moças).

Felizmente para as pretendentes a esposas de um homem de valor, quando o assunto é estabelecer uma relação estável com o intuito de criar família, a atracção física, embora se mantenha um critério importante, cede algum território a outras considerações como a agradabilidade do espécimen e a sua propensão para tarefas relacionadas com as lides caseiras e a criação da prole. É neste espaço que as mulheres podem ganhar o jogo, e que mais podem beneficiar as que foram menos favorecidas pela beleza.

“O problema é as mulheres trabalharem”, diz Paula. E acertou na mouche, mas não pelas razões que julga. Atenção, O Patriarca não é de modo algum contra a igualdade de direitos das mulheres, nomeadamente no acesso ao mercado de trabalho. É, sim, contra a mentira vendida a jovens inocentes de que o sucesso na carreira é o que lhes vai trazer felicidade.

O que realmente traz realização pessoal à esmagadora maioria das mulheres é cuidar da sua família, com um homem de valor e filhos (atenção ao plural) integrados e bem sucedidos. Ora uma carreira de sucesso não só não ajuda absolutamente nada no objectivo de conseguir um homem que verdadeiramente deseja (por razões demasiado longas para expôr aqui e que justificarão por si só um artigo futuro), como prejudica activamente o objectivo de cuidar da família.

Não, as aulas de etiqueta para meninas não são ridículas. Dado estarmos a falar de uma iniciativa privada, em que os pais das crianças, de sua livre vontade, pagam para as terem lá, são sim a resposta a uma clara necessidade de mercado. Pais que acham que a sociedade abriu guerra à feminilidade e que se deixarem as suas filhas entregues exclusivamente aos sistemas públicos, acabarão como mulheres que têm medo ou vergonha de ser “belas, recatadas e do lar” ainda que o desejem.

A aberração de querer meter meninos numa “Escola de Princesas” (repito, de iniciativa privada) foge também ao âmbito deste artigo.

Sim, muitas meninas sonham ser princesas, arriscaria mesmo a grande maioria. Mas nem todas podem ter o príncipe que querem, especialmente se forem ensindadas a entrar em relações com uma atitude de competitividade. Os príncipes não aparecem num cavalo branco para resgatar mulheres que acham uma desonra fritar um bife. Têm de ser cativados, até porque têm bastante saída.

Talvez um dia O Patriarca considere investir num negócio semelhante, que proporcione às jovens portuguesas um refúgio do feminismo galopante que começa a infectar o país, desde as mais altas esferas do governo, e lhes permita desenvolver características propícias à felicidade que lhes querem sabotar.

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NOTA O Patriarca tem ganho o hábito, dada a frequência com que o desaparecimento de links torna alguns artigos de blogs incompreensíveis, de fornecer links arquivados. Por algum motivo este não é arquivável, pelo que se segue o texto completo do mesmo.

Têm entre os 4 e os 15 anos, vestem-se todas de uniforme cor-de-rosa, usam tiaras ou laços brilhantes na cabeça e, durante três meses, os pais pagam para que elas possam frequentar uma escola de princesas. Nesse curso, as meninas – só meninas – aprendem atividades como maquilhar-se, fazer a cama, cozinhar e decorar tudo o são regras de etiqueta, desde a forma certa de dobrar um guardanapo, a como colocar os cotovelos quando se está à mesa ou qual a posição correta dos dedos enquanto se bebe um chá. Pelo meio, aprende-se ainda a “superar grandes desafios”, como não entrar em pânico quando “cai um botão do vestido antes de uma festa” ou a tratar de uma mala de viagem – como a do futuro marido, quiçá – sem complicações. Adorava dizer que isto é uma piada de mau gosto, mas não. Esta ‘escola de princesas’ existe mesmo no Brasil e, como se uma não bastasse, acaba de abrir um segundo estabelecimento porque a procura é grande.

Quando li este artigo do Estadão confesso que fiquei perplexa. Não só pelo tipo de estereótipos e mensagem que isto se passa a meninas de tenra idade, mas principalmente pelo discurso da mentora do projeto e também das próprias mães, que acham que estes ensinamentos são enormes mais-valias para o futuro das suas filhas. Afinal, “todas as meninas querem ser princesas, né?”. Muitas sim. Mas esta não é certamente a maneira certa de as incentivarmos a calçarem o sapatinho de cristal.

Atenção: não há nada de mal em deixarmos as nossas meninas brincarem com bonecas, maquilhagens cor-de-rosa, chavenazinhas de chá, tiaras brilhantes e demais adereços dignos de filme de príncipes e princesas. Há que deixá-las brincar, explorar, imaginar, fantasiar, queiram elas ser princesas, futebolistas ou carpinteiras. Mas outra coisa é levá-las a achar que este mundo cor-de-rosa, com tiques de futilidade e submissão, reflete aquilo que é esperado que seja o seu lugar no mundo. Longe vai o tempo em que o que era esperado das meninas, princesas ou não, era precisamente que se tornassem mulheres “belas, recatadas e do lar”, (como Temer tanto gosta). Que dedicassem os seus dias a escolher vestidos bonitos e penteados para estarem sempre dignas e apresentáveis, a decidir o menu do jantar com preceito, a tocar piano e a cantar para entreter o marido ao serão ou a manter a casa impecável para que este se sentisse confortável quando chegava do trabalho. Felizmente, uma boa parte do mundo mudou muito nas últimas décadas e o papel da mulher já não é este. Então, para quê perpetuar esta mensagem?

O PROBLEMA É AS MULHERES TRABALHAREM

A cereja no topo do bolo é que neste curso, que ironicamente conta com a participação de psicólogos no delineamento da sua estrutura, não é permitida a entrada de meninos. Mas quando confrontada com o sexismo inerente ao projeto no seu todo, a fundadora enche o peito para dizer que a escola defende o ideal de direitos igualitários entre os géneros. Contudo, defende que homens e mulheres têm “papéis diferentes” (viva a coerência…), e não se coíbe no que toca a passar mensagens este tipo: “A vovó ensinava para a mamãe, a mamãe nos ensinou e hoje a gente não tem mais esse tempo, porque a gente saiu para o mercado de trabalho, vieram vários fatores, então a gente não senta mais com a nossa filha e fala como ela deve arrumar a gaveta, como fazer um arroz”. Se calhar era melhor as mulheres deixarem de trabalhar e voltarem a estar em casa a tempo inteiro, dependentes da figura masculina, com o intelecto encalhado, privadas das suas aspirações profissionais, sujeitas à vontade alheia. A educarem as filhas para repetirem o padrão. Mas só as filhas e não os filhos, porque isto de fazer arroz ou arrumar uma gaveta é aparentemente coisa para mulheres. Que retrocesso perigoso alimentarmos esta linha de pensamento, minhas senhoras.

Em que vez de perderem tempo em ensinamentos sexistas e retrógradas como estes, talvez fizesse mais sentido agarrarem no universo das princesas e ensinarem as vossas meninas a não temerem a liderança do seu reino. Estimularem-nas a usar o intelecto, a desenvolverem o raciocínio, a darem largas à criatividade, a expressarem a sua opinião, a defenderem as suas ideias, a perceberem que podem tomar as rédeas da sua vida e serem o que quiserem para lá das paredes do castelo. Aprenderem desde cedo que a submissão não é um caminho a seguir e que o respeito e a igualdade são valores que devem aspirar para as suas vidas, seja na privada, na profissional ou na social. E compreenderem que podem abraçar tudo isto sem que a sua feminilidade seja posta em causa. Ah, e já agora, que os meninos também podem ser princesas.

Querer ser princesa e gostar de usar cor-de-rosa não é definitivamente o problema. O problema são os estereótipos que se continuam a colar a estes símbolos.

Published by O Patriarca

O Patriarca é defensor da liberdade individual e da igualdade de direitos entre os sexos. Além disso, adora mulheres. Como tal, opõe-se ferozmente ao feminismo e à diabolização dos papéis tradicionais para os dois únicos sexos/géneros que existem na espécie humana. Por este motivo é frequentemente chamado de "machista" ou "porco chauvinista", ao que cavalheirescamente responde "faz-me mas é uma sandes". Politicamente já foi de esquerda, quando era jovem e parvo. Compreende a inevitabilidade da globalização, mas defende que o nacionalismo se mantém importante na preservação das culturas, sendo o único travão ao avanço do islão. É seguidor da filosofia Red Pill e diletante das artes de sedução.

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